![]()
As Primeiras Aproximações
sobre uma Pedagogia dos Multimeios
Autores:
Prof. Antônio Francisco Magnoni do Núcleo de
Pesquisa e Produção em Multimeios para a Educação - UNESP/BAURU - Departamento de
Comunicação Social FAAC - UNESP/BAURU; Doutorando em Ensino na Educação
Brasileira FFC UNESP/MARÍLIA.
Ms. Vânia Cristina Pires Nogueira Valente do Núcleo de Pesquisa e Produção em Multimeios para a Educação - UNESP/BAURU - Pólo Computacional - UNESP/BAURU; Doutoranda em Engenharia Escola Politécnica USP/SÃO PAULO ( vania@bauru.unesp.br)
Resumo:
A defasagem de conhecimentos fragiliza nosso sistema de ensino público e enfraquece o Brasil diante da modernização voraz que tange a cadeia produtiva internacional. Com o propósito de fortalecer e modernizar a educação no meio universitário, pesquisamos a aplicação pedagógica de recursos de multimídia e redes de informações. O desconhecimento de uso destes meios não pode mais ser argumento para bloquear a expansão do ensino presencial e a distância em nosso país.
O uso em sala de aula, dos meios informacionais demandará um volume crescente e cada vez mais diversificado de materiais educativos audiovisuais, que não são produzidos pelo mercado comercial. O domínio operacional da tecnologia disponível é a primeira etapa em que muitos educadores terão que ser iniciados, para poderem assimilar uma Pedagogia dos Multimeios.
É preciso dominar os meios digitais, antes que eles tornem nosso conhecimento educacional e nossa prática profissional totalmente obsoleta.
Palavras-chaves: multimeios, educação, multimídia
Como integrantes do Núcleo de Pesquisa e Produção em Multimeios para a Educação e profissionais de comunicação e informática, procuramos investigar caminhos adequados para se articular as tecnologias e o conhecimento informacional com o propósito de fortalecer e modernizar a educação no meio universitário, neste momento histórico tão adverso e desafiador em que vivemos. Tal questão teórico-prática parece-nos oportuna porque estamos atravessando um período que está sendo designado de: a era global da informação e da comunicação, sociedade informática pós-industrial, terceira revolução, etc. Estamos presenciando o surgimento de uma civilização gerida pela tecnologia binária, onde as máquinas digitais permeiam todas as instâncias sociais.
A informática, com suas "ferramentas intelectuais", tem despertado no imaginário coletivo o fascínio pelas possibilidades que oferece para auxiliar o fazer humano nos ambientes de produção e educação. Há os que defendem religiosamente a informática, como um meio poderoso que poderá conduzir a humanidade ao novo Éden digital sem intuir, no entanto, que muito ainda há de se pesquisar e desenvolver para compor novas fórmulas de trabalho com o auxílio das chamadas novas tecnologias.
O debate sobre o universo digital e suas conseqüências sociais está apenas no início e a Universidade Pública brasileira terá que participar ativamente dele. O Brasil, um país de imenso potencial de desenvolvimento e ao mesmo tempo travado por dificuldades crônicas de ordem política, econômica e social, não pode ficar a margem do embate acerca da globalização e das tecnologias emergentes.
Tratando-se de informática na educação, o assunto assume um valor estratégico imediato, pois em plena era da telemática, a maioria dos professores de todos os níveis educacionais têm nos livros-textos, nas apostilas e na exposição oral, os principais instrumentos pedagógicos e didáticos em sala de aula. A necessidade de remodelar cursos e métodos de ensino existe em função de facilitar a árdua missão de educar além de motivar. Muitos relutam para utilizar qualquer outro recurso que não derive da cultura escrita. Recursos audiovisuais, computadores e Internet, queira ou não, já são realidade em inúmeras instituições acadêmicas. Estas vias didáticas são percorridas em conjunto, os docentes não devem ser os detentores do conhecimento mas sim um guia para se chegar a ele. Porém, o que tem-se observado, em muitas instâncias educacionais, é o despreparo e o desconhecimento dos docentes em relação as novas possibilidades de ensino tecnológico, apesar de existir um grande interesse no assunto.
A defasagem de conhecimentos fragiliza nosso sistema de ensino público e enfraquece o Brasil diante da modernização voraz que tange a cadeia produtiva internacional. É a nova globalização capitalista, que intensifica as exigências de especialização para todas as categorias de trabalhadores e supera cada vez mais rápida, a formação escolar e profissional.
A UNESP é uma instituição propícia para o desenvolvimento de projetos que utilizem as Novas Tecnologias Digitais, em função da imensa diversidade de áreas de conhecimento, com tantas unidades espalhadas por todo o Estado e que estejam interligadas por uma rede interna de computadores. Isto a torna um campo ideal para as pesquisas em Comunicação e Educação e para o desenvolvimento de programas de educação audiovisual, presenciais e a distância. A criação de um espaço de pesquisa e produção multidisciplinar, pode captar recursos em órgãos de fomento e garantir uma política permanente de investimento em infraestrutura técnica e em formação profissional para a produção audiovisual nas Faculdades, Institutos e Departamentos de Ensino e Pesquisa da UNESP.
A existência de aportes financeiros para investimento em recursos tecnológicos e profissionais especializados, é o ponto de partida para uma práxis educacional que utilize as tecnologias e suas linguagens como instrumentos para um novo fazer pedagógico, que permita o florescimento de uma postura de aplicação de multimeios adequada à realidade multidisciplinar e multicampus, de nossa Universidade. O desafio para a realização dessa tarefa, mais que as limitações materiais e políticas, esbarra nas dificuldades de articulação teórica e metodológica da Comunicação com a Educação e na escassez de educadores e comunicadores com vivência e formação interdisciplinar nestas duas áreas socialmente tão próximas, mas distantes historicamente, tanto no ambiente escolar, quanto no cotidiano dos sistemas de informação.
O uso em sala de aula, dos meios informacionais demandará um volume crescente e cada vez mais diversificado de materiais educativos audiovisuais, que não são produzidos pelo mercado comercial. O domínio operacional da tecnologia disponível é a primeira etapa em que muitos educadores terão que ser iniciados, para poderem assimilar uma Pedagogia dos Multimeios. A chave de acesso para o ensino telemático, passa necessariamente, pelo domínio do processo de conversão dos conteúdos escritos da cultura clássica e contemporânea, em mensagens e programas audiovisuais. O cuidado de escolher uma linguagem audiovisual apropriada para adaptar um conteúdo, escrito ou exposto oralmente, sempre evita o risco de se transformar uma exposição presencial desanimada em uma mensagem eletrônica, ainda mais aborrecida. Podemos citar, por exemplo, o uso sem critérios de recursos audiovisuais, de forma a cansar poluir e prejudicar a transmissão do conteúdo previamente elaborado.
Para que isto não ocorra, na UNESP propomos uma ação interdisciplinar e interdepartamental que aglutine professores e pesquisadores dos Departamentos e Faculdades interessados em debater e pesquisar os vínculos teóricos, metodológicos e as possibilidades técnicas entre a Comunicação e a Educação. A intenção é atrair também, ao longo do tempo, especialistas e profissionais de informática e do mercado audiovisual com interesse em aprendizado, em pesquisa, experimentos, planejamento e ensino das teorias e das técnicas de roteirização, de criação e direção de formatos e linguagens audiovisuais com fins educativos e culturais que:
a) compartilhem da preocupação em iniciar professores da rede de ensino básico, médio e superior, nas práticas e metodologias da Comunicação e da Educação para a difusão cultural-educativa, presencial, remota e a distância;
b) ajudem a criar um ambiente de especialização de comunicadores e de educadores interessados na produção educativa e cultural, pelo intermédio do ensino e a pesquisa sobre programas educativos, jornalísticos, documentais e artísticos e dramatúrgicos, de rádio, televisão, vídeo, cinema e computação, etc.;
c) organizem para fins didáticos e de pesquisa, um acervo bibliográfico especializado e um setor audiovisual, que junte, difunda e preserve o acervo e a memória da produção de rádio, televisão e informática brasileira e estrangeira disponível;
d) busquem alternativas conjuntas de financiamento para a instalação de um Núcleo de Pesquisa e Produção em Multimeios para a Educação na UNESP, como a infra-estrutura técnico-operacional necessária para a equipe multidisciplinar envolvida nesta iniciativa desenvolver projetos, pesquisas, estudos e experiências inerentes a produção e ao uso de multimeios na área da Comunicação, da Educação e da Cultura.
A inserção dos meios eletrônicos de comunicação de massa na sociedade é avassaladora e irreversível. Atualmente não há argumentos lógicos para se contestar o poder de difusão do rádio, da televisão, e das redes de tecnologia digital que atingem instantaneamente e simultaneamente, milhões de pessoas em diferentes pontos do planeta. Essa programação audiovisual, diversa na quantidade, se restringe a conteúdos voltados para o entretenimento; para o estímulo ao consumo material e simbólico; em veicular informações comprometidas em grande parte, com o estamento dominante. Predominam as mensagens fragmentadas, que não patrocinam a formação de uma opinião pública voltada para a construção da cidadania, e que pouco contribuem para o fortalecimento dos direitos e para a superação das desigualdades sociais.
Mas é estratégico considerar o potencial inequívoco, se houver iniciativas com este objetivo, que estes meios eletrônicos possuem para a educação e a cultura. Neste sentido, a proposta de consolidação de uma equipe multidisciplinar que pesquise a Comunicação e a Educação se justifica num contexto mais amplo, pela crescente demanda social de produção audiovisual gerada pela recente economia da informação que expõe a exaustão dos sistemas tradicionais de ensino, ao exigir a atualização permanente dos trabalhadores empregados e uma qualificação sempre maior.
O ensino audiovisual a distância, que é apontado desde os anos 60, pelos especialistas internacionais em educação e desenvolvimento como um fator de incremento ao ensino público em todos os níveis, ganha alento ao ser regulamentado pela nova LDB. Diante da necessidade imediata de se melhorar, com investimentos modestos, os sistemas escolares nacionais, será possível viabilizar o ensino audiovisual presencial, e a distância, se além das descontínuas políticas oficiais, houver disposição dos professores e dos dirigentes do ensino, em implementá-la no sistema educacional público.
"O avanço dos meios de comunicação e informação não têm encontrado eco na escola, cujos instrumentos de ensino continuam sendo fundamentalmente a lousa, o giz e a linguagem oral e escrita. A atividade educativa pode ser encarada como uma atividade comunicativa, o que exige que a Escola como um todo e a Universidade em particular integrem os meios de comunicação no seu dia-a-dia. A articulação desejada entre Comunicação e Educação exige, por parte dos docentes, conhecimento e familiaridade com a linguagem dos meios, sem que se desviem do caráter pedagógico da prática docente. São necessárias pesquisas para se avaliar a possível contribuição dos multimeios para uma prática educativa significativa (...) e a criação de um espaço comum que permita a integração efetiva do conhecimento em Educação e do conhecimento em Comunicação, maximizando recursos e compartilhando os conhecimentos específicos de cada área." (VALE et alii, 1995:5)
Em uma universidade pública e descentralizada como a UNESP, um espaço especializado de produção de conhecimento audiovisual torna-se estratégico para atender on-line, as demandas socio-econômicas de regionalização da produção científica e tecnológica, cultural e de prestação de serviços, em nosso Estado e em todo o País. A junção de áreas acadêmicas, profissionais e de pesquisadores poderá propiciar à UNESP, um espaço multidisciplinar adequado para a reflexão educacional e cultural; política e econômica; sobre a sociedade da informação que se consolida rapidamente. Do mesmo modo, viabilizaria o uso dos multimeios aplicados à educação em todos os níveis. Permitiria articular o conhecimento acumulado com a produção experimental, científica e acadêmica para desenvolver projetos, investigar e elaborar novos formatos e linguagens de comunicação que vincule criticamente a educação superior e média e fundamental aos processos produtivos.
O conceito genérico de multimeios, que se criou com a possibilidade de interligação linear de vários equipamentos para a produção e transmissão audiovisual, está perdendo o sentido com o predomínio atual das tecnologias digitais telemáticas. A convergência ou junção não linear das mídias já é uma realidade na Internet, um canal onde trafegam ao mesmo tempo, áudio, texto, vídeo, fotos, ícones (emotícones), animações, etc. Na prática, as mensagens da Rede englobam funções, programas e linguagens de microcomputador, rádio, disco, CD-ROM, jornal e revista, televisão e videogames, etc., o que exige um conhecimento interdisciplinar consistente dos profissionais que desejam utilizá-la como veículo de acesso ao público desejado.
A Internet tornou-se ao mesmo tempo, transmissor e receptor audiovisual planetário, de todas as mídias verbais-sonoras, não verbais e imagéticas, disponíveis neste século XX. Ser emissor, e ao mesmo tempo receptor de mensagens, era uma possibilidade reservada até bem pouco tempo, aos radioamadores, que trocavam informações restritas a comunicação oral e característica desta atividade tecnicamente especializada e quase lúdica. A web possibilitou a comunicação audiovisual interativa e planetária, para todas as pessoas com acesso aos computadores "plugados" na Rede. Na prática, disponibilizou ao público, o acesso a um multimídia que agrega todas as mídias. Para completar a revolução informativa, deu a cada navegante, um "controle remoto virtual" com um número quase infinito de canais, para que eles possam "zapear" continuamente, sem endereço certo, em busca de novidades, de contatos virtuais, de entretenimento. Se não houver sítios com mensagens absolutamente sedutoras, a recepção na Rede será mais fragmentada que a audiência de rádio e televisão, para o pavor dos comunicadores e dos educadores.
Mesmo que haja uma fragmentação maior que a da televisão e do rádio, a comunicação na Internet é compensada pela mensagem interativa, que pode ser acessada em tempo real ou não. A evolução das tecnologias conspira contra os monopólios mediáticos e possibilita o surgimento de múltiplos canais de comunicação genuinamente populares e de baixo custo em relação aos tradicionais, contrariando a lógica comercial dos meios de comunicação unilaterais e monopolizados. Por enquanto, a dependência da tecnologia de informática importada, ainda cara para a maioria da população e condicionada aos interesses estratégicos dos fabricantes, é o único fator que pode limitar o acesso das populações dos países periféricos ao novo canal de comunicação internacional. No Brasil, enquanto a tevê por assinatura, se estagnou em menos de 3 milhões de domicílios, o número de "internautas" já ultrapassou esta quantia em menos de 5 anos. Estamos vivenciando uma rápida mundialização on-line alimentada por indivíduos, que entram em progressão geométrica no tráfego digital e "viajam" compartilhando informações, por todos os lugares em que houver computadores ligados em rede.
O primeiro browser, programa para acesso de informações via Internet, foi desenvolvido em 1.990 por Tim BernesLee no Laboratório Europeu para a Física de Partículas (CERN), na Suíça. Em apenas nove anos de desenvolvimento contínuo, o programa navegador percorreu uma trajetória singular de auto-superação, evoluindo das precárias linhas de texto aos mais elaborados elementos de multimídia com imagens, sons e animações. Na web não há a hierarquia e a rigidez funcional presente nos meios tradicionais de veiculação de informação, o que faz dela um meio aberto onde a escolha é livre entre ser autor, espectador, editor, assinante, etc. A interface gráfica da Internet, denominada World Wide Web (Teia de Alcance Mundial), também conhecida como www, w3 ou por web, tem sido caracterizada como uma mídia de publicação aglutinadora de outros meios. Seu conteúdo é elaborado, diagramado e programado com a finalidade principal de apresentação nas telas dos computadores receptores. A mensagem audiovisual da Internet perde a maior parte de sua diversidade multimediática, quando é capturada e impressa sob a forma de texto.
Novas profissões foram criadas para suprir a demanda da Internet, entre as quais, a de WebDesigner, que se responsabiliza pela criação e confecção dos projetos gráfico (Sites ou Home Pages) para a web. Este profissional deve aglutinar conhecimentos e habilidades de diversos especialistas da mídia tradicional, como a de diagramador, programador visual, produtor artístico e animador gráfico, arte-finalista, sonoplasta, etc. Sua grande preocupação é com a qualidade visual do conteúdo e com a facilidade de navegação e de interação do receptor com a mensagem.
O vasto potencial de aplicação das tecnologias telemáticas no ensino ainda está subestimado por falta de articulação interdisciplinar entre as diversas áreas de conhecimento que deverão compor uma Pedagogia Multimediática. A Internet, por exemplo, pode integrar com sua rede de computadores, estudantes, professores e pesquisadores, geograficamente distantes e possibilitar a troca de informações locais e universais, a convivência direta de culturas e línguas sem que haja mecanismos de edição ou seleção de informação, como é corriqueiro nos meios tradicionais de comunicação. É oportuno observar que não há ainda, pesquisas conclusivas sobre as influências do uso massivo de meios telemáticos em diferentes culturas. Qualquer projeto de educação audiovisual deve considerar primeiro o repertório cultural do público ao qual pretende atingir, para poder elaborar linguagens com códigos de comunicação adequados para o universo escolhido. Utilizar o mesmo conteúdo, método e códigos para públicos de culturas diferentes é negar o potencial de interação e de diversidade que este tipo de educação pode proporcionar, ou então, é uma tentativa de impor padrões de uma cultura à outra.
As tecnologias digitais de comunicação, ao permitir a emissão e a recepção em dois sentidos, rompeu o paradigma da comunicação unidirecional, praticada pela tevê e pelos meios impressos, e com menor intensidade, pelo rádio. As práticas de educação a distância desenvolvidas via rádio e tevê, em diversos países e com diferentes objetivos, demonstraram resultados satisfatórios quando a recepção dos programas aconteceu em ambientes de monitoria para atendimento dos alunos. A recepção organizada destes programas garante aos alunos, a convivência e interação aproximada, de uma sala de aula. A teleaula tradicional está sendo substituída rapidamente pela videoconferência, em função dos avanços contínuos da Internet na transmissão simultânea de imagens animadas e de áudio. A videoconferência síncrona (quando o professor e os alunos estão conectados no mesmo horário) é hoje, um recurso de educação a distância bastante próximo da aula presencial pois permite que eles se visualizem, façam perguntas e resolvam dúvidas de imediato. A recepção assíncrona perde esta proximidade, e a existência de um canal de diálogo remoto entre professor e aluno, torna-se indispensável para compensar a ausência de uma comunicação simultânea necessária para haver uma boa relação de ensino-aprendizado.
Diante dos avanços dos suportes telemáticos, é preciso viabilizar um sistema de ensino de massa não mais baseado na extensão de um sistema físico de Escolas, Faculdades ou de Universidades, mas de uma rede virtual interativa de Recepção Orientada e de acesso gratuito e universal. Os sistemas tradicionais de ensino já não conseguem dissimular a exaustão de seus paradigmas diante de um mercado que exige a atualização permanente dos trabalhadores empregados e uma qualificação sempre maior para os que procuram o primeiro emprego. No caso brasileiro, em que a população aumenta cerca de três milhões de pessoas por ano, é preciso incorporar à escola, toda a variedade disponível de meios educacionais para atender de modo presencial e a distância e em tempo resumido, a imensa demanda de formação de crianças e jovens.
Num plano imediato, é preciso assegurar a qualificação de mais dois milhões de jovens brasileiros, que anualmente entram em idade de trabalho, para que eles possam ser absorvidos pelo mercado produtivo formal. A utilização dos recursos digitais abre a possibilidade mais viável e imediata de revitalização do ensino público, com a atualização a distância dos professores em exercício, com a qualificação dos professores leigos, e ainda, de requalificação e formação continuada para os trabalhadores urbanos e rurais, para que eles não sejam vítimas permanentes do desemprego econômico e tecnológico.
Parece-nos que a adequação da educação para esta sociedade da informação (ainda um tanto difusa) é o único caminho possível por enquanto, para que todos consigam trabalho num mundo em que os empregos regulares estão em constante declínio. É preciso garantir conhecimentos especializados aos trabalhadores, para que eles possam desenvolver de forma autônoma, atividades produtivas estáveis (individuais ou familiares) auto-sustentáveis de geração de renda. Cabe aos educadores e aos especialistas em comunicação informacional conceberem em conjunto, diferentes modelo de aulas virtuais para os diferentes meios disponíveis. O primeiro cuidado é considerar que educação a distância (EAD) não é comunicação de massa e tampouco instrução programada onde só há estímulo para uma comunicação em forma de pergunta/resposta. A web permite por exemplo, que o aluno seja abordado individualmente (este sistema interativo de aula não desperta a distância psicológica entre os alunos e o professor) e se torne o principal objetivo do processo educativo. O acesso às aulas via Internet pode acontecer em casa, no trabalho e na própria escola quando o objetivo for permitir maior interdisciplinariedade entre áreas de conhecimento na graduação ou cursos especialização e pós-graduação a distância.
Uma classe virtual síncrona não deverá, por enquanto, ter muitos alunos para não dificultar o acesso e a interação entre todos os participantes. O controle de freqüência tenderá ser igual ao das aulas presenciais. Nestes tipos de aula, o computador e a Internet são meios, são recursos pedagógicos que permitem aulas a distância de forma síncrona ou assíncrona. É uma forma de aprendizado cognitiva, construtivista, que exige do aluno, um esforço maior que nas aulas presenciais. O professor na EAD, torna-se um comunicador, um facilitador do acesso às informações que estarão em disponibilidade permanente na web. Ele incentiva a participação e a interação da classe, apresenta aos alunos os assuntos e discussões previstos no programa da matéria e quando percebe que algum aluno não participa, entra em contato paralelo com ele para incentivá-lo. Nas interações assíncronas, as orientações e resoluções de dúvidas poderão ser por e-mail, por listas de discussões e pelo acesso ao site da aula com explicações disponibilizadas para o acesso em qualquer horário. Via conferência, com o uso de softawares apropriados, é possível que o professor se comunique com todos os alunos ao mesmo tempo, individualmente e via conferência paralela, e ainda, é possível fazer conferências múltiplas e enviar mensagens individuais a cada aluno.
A tecnologia telemática, consideradas algumas reservas econômicas e políticas que apontamos no texto, está cada dia mais apropriada para a educação virtual. O desconhecimento de uso destes meios não pode ser argumento para bloquear a expansão do ensino a distância em nosso país. É preciso dominar os meios digitais, antes que eles tornem nosso conhecimento educacional e nossa prática profissional totalmente obsoleta.
Referências Bibliográficas:
ANAIS do II Seminário Latino Americano de Educação para a Televisão. Educação para os Meios de Comunicação: um problema metodológico. ABT: Estudos e Pesquisas, 1986
BABIN, P. & KOULOUMDJIAN, M. F. Os novos modos de compreender e de ensinar: a geração do audiovisual e do computador. São Paulo: Paulinas, 1989.
BALAN, W.C. Breve Relatório sobre o VIII ISTEC General Assembly-PUC/RS. Porto Alegre: 1998
BORDIEU, P. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Zahar, 1997.
BRETON, P. História da Informática. São Paulo: UNESP, 1991.
FRANCO, M. da S. Escola Audiovisual. São Paulo: ECA/USP, 1988.(tese de doutorado).
FREIRE, P.e GUIMARÃES S. Sobre Educação: diálogos. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.
HARVEY, D. Condição Pós-Moderna. Loyola: São Paulo, 1992.
MANACORDA, M.A. História da Educação: da antiguidade aos nossos dias. São Paulo: Cortez, 1992.
MORAN, José Manoel. Como utilizar a Internet na educação. Ciência da Informação. Brasília, vol. 26, n.º 2, maio/agosto 1997.
SANTOS, M. TÉCNICA, ESPAÇO, TEMPO: Globalização e Meio Técnico-Científico Informal. São Paulo: Hucitec, 1986.
SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1991.
SCHAFF, A. A Sociedade Informática. São Paulo: Brasiliense, 1993.
TARDY, M. O professor e as imagens. São Paulo: Cultrix/EDUSP, 1976.
TOTA, A.P. A locomotiva no ar: rádio e modernidade em São Paulo, 1924-1934. São Paulo: Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo/PW, 1990.
VALE, J. M. F. do. Educação e Comunicação: os recursos tecnológicos e as possibilidades didático-pedagógicas. Bauru: (mimio)1996.
PS: Este artigo foi apresentado no III Simpósio Internacional de Biblioteconomia UNESP Marília (1999)
[ Curso][ Quem somos][ Links comentados ][ Textos do Grupo ][ Links Interessantes][ Eventos ][ Home]