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O perfil do novo educador frente à informatização no processo de ensino aprendizagem
                                                                                                                           Maria Cecilia S. Chaves

 

Cada vez mais as tecnologias permeiam todas as nossas ações e atividades cotidianas. Elas alteram a cultura social, o modo de viver, de se relacionar, de aprender e ensinar.

Dentro do contexto educacional, os professores se deparam com um grande contingente de crianças e adolescentes, filhos das classes sociais com maior acesso aos recursos tecnológicos, que crescem vivenciando a tecnologia como uma coisa natural, rotineira e prazerosa. São indivíduos que tendem a interagir melhor em grupos, compartilham bem informações e as buscam de uma maneira ampla e multidimensional. E quanto aos educadores?

Na nova sociedade globalizada desta virada de milênio, a nova moeda , o novo bem de capital é a pessoa , o conhecimento que esta detem e as possibilidades deste no decorrer de sua vida pessoal e profissional. Valoriza-se a pessoa que tem o conhecimento, poder é conhecimento. As pessoas são vistas como um patrimônio ativo da sociedade, da empresa ou entidade educacional onde trabalha, patrimônio que detem o conhecimento dominante.

Esse conhecimento, antigamente era obtido quase que exclusivamente através de educação formal, limitada a uma formação acadêmica regular, medida em ciclos estruturados. Bastava ao futuro profissional possuir uma formação básica , generalista de ciências e humanidades nos primeiros anos de ensino regular, para mais tarde ao entrar na universidade buscar se desenvolver em um assunto específico, a que se deteria pelos anos seguintes da carreira.

Eventualmente, os mais curiosos e embuídos de um espírito acadêmico, iriam em busca de cursos de extensão para aumentar sua expertise. As informações transformadas em conhecimento, ficavam mais contidas, como fonte pessoal do indivíduo, um banco de recursos próprios para seu desenvolvimento pessoal, eventualmente compartilhado.

Os tempos mudaram, os valores são outros, a cultura é cada vez mais globalizada exigindo uma mudança no perfil do cidadão e profissional apto a estar inserido neste novo contexto social.

Quando pensamos o processo educacional no contexto social e tecnológico dos dias de hoje e com um olhar para o futuro, é importante questionarmos para que, para quem e como educar.

Se formos conscientes da visão do que se deseja em termos de sociedade, da missão da escola e de seus membros como formadora de cidadãos que se alinhem adequadamente a este novo quadro social e econômico, podemos elencar as capacidades, do educador e do aluno neste quadro futuro; ações que são necessárias hoje para que se atinja o quadro imaginado para o próximo milênio.Educadores com habilidades de formar crianças e adolescentes tendo em vista cidadãos e profissionais atuantes, multiplicadores dos valores sociais apreendidos durante a educação formal e informal.

Cabe a nós, educadores contemporâneos uma parcela significativa do movimento de mudança do contexto atual ao novo paradigma da educação, seja ele utópico ou não, onde a ênfase está no educar centrado no crescimento pessoal e coletivo, na busca da auto consciência e da visão ecológica, na autonomia para a vida e nas competências conscientes. Em busca de um sujeito integrado numa nova era, relacional, apto a viver em ambientes distribuídos de informação e ecologicamente conscientes e críticos de seu papel social num universo cada vez mais globalizado, multicultural, sem as antigas fronteiras geográficas e de conhecimento.

O se observa é que os atuais alunos sem que se dêem conta, aprendem o tempo todo, com ou sem a escola formal, estão sendo educados, especialmente quando as informações chegam a eles de uma maneira mais lúdica, informal, menos consciente das possibilidades de aprendizagem.Se na educação não formal as tecnologias são em geral bem aceitas, por que isso não ocorre na educação formal? Ocorre que a escola que não utiliza tecnologia, informática, acaba perdendo pontos ao ver deste aluno acostumado a interagir naturalmente com as multiplas mídias do cotidiano, receptor e usuário diário da tecnologia.

Que diferentes papéis, funções tem os recursos audiovisuais e especialmente o computador na transmissão de informações relevantes, por exemplo uma filme ou documentário em vídeo, um programa de TV comercial ou a cabo , o computador conectado na Internet na sala da casa do estudante ou educador, quando ele é usado em busca de novos artigos, materiais para pesquisa, leitura de jornais e revistas on line, para jogar video game ou entrar num chat?

São elementos lúdicos e portanto atraentes, além de familiares. Cresce-se convivendo com toda essa parafernália eletrônica.

Quando se pensa nesses recursos utilizados na educação formal, as coisas mudam de figura. Apesar de educadores e coordenadores concordarem com a utilidade e validade enquanto ferramental de impacto pedagógica dessas mídias no processo de ensino aprendizagem, ainda hoje esbarramos em resistências quanto ao uso cotidiano ou continuado delas. Será que nosso conceito de educar se restringe somente ao espaço restrito entre quatro paredes de uma sala de aula, com um detentor do conhecimento falando para meros ouvintes acríticos ou sem espaço para refletir e questionar?

A possibilidade da utilização de recursos audiovisuais , sejam eles vídeos, CD ROMS, Internet ,na educação exige um novo repensar pedagógico. Estes recursos por serem não lineares modificam a fruição do conhecimento. Tornando-o totalmente individual , desenvolvido no ritmo particular do estado cognitivo do sujeito que interage com essas tecnologias. Isto é interessante e inovador pois tira da mão da escola e do educador formal a exclusividade e total responsabilidade da forma que sempre se ensinou e aprendeu, dá mais autonomia, flexibilidade ao aprendiz, possibilita que a nova informação mature melhor, que o educando faça relações mais ricas e aprofundadas entre este novo conhecimento e o que já faz parte de seu background teórico e vivencial.

Se alguns educadores e acadêmicos há algum tempo pensam sobre a utilização destas novas tecnologias e as aplicam em sala de aula existem ainda amplos vácuos de como lidar com estes novos paradigmas educacionais.

A missão das escolas, enquanto organizações, é de um modo geral prover formação e transmissão de conhecimento de qualidade a seus alunos. Para isso é preciso contar com o suporte pedagógico de um corpo docente sábio, consciente de seus potenciais, aptos a vencerem com elegância e eficácia os desafios do cotidiano da sala de aula ou coordenação. Profissionais em constante processo de atualização, aprendendo sempre, criativos e flexíveis no ensinar, gerenciando equipes com satisfação, flexibilidade , criatividade maestria e responsabilidade.

Desta forma, aumentando o seu desempenho como um todo e fazendo com que o processo educacional seja fluido, sinergético e produtivo.

É hora de repensar se realmente contamos com educadores com perfil adequado para que esta missão se realize, pois os paradigmas educacionais estão mudando, o mundo está se globalizando a todo vapor, e ninguém em sã consciência quer perder o trem da história, correr o risco de se tornar um "excluído cultural" mesmo tendo capacidades que outrora eram tidas como suficientes para ser um bom professor, um educador de primeira linha.

A realidade educacional brasileira é feita de contrastes violentos. Se por um lado temos uma rede pública defasada nas mais primárias condições de infraestrutura física ( luz, telefone, espaço físico adequado, material didático, merenda) e carente de capacitação ( com milhares de professores leigos ministrando aulas para alunos em diferentes estados de desenvolvimento cognitivo numa mesma classe), contamos também com núcleos de desenvolvimento acadêmico de primeiro mundo e projetos de ponta em Universidades Estaduais e Federais.

Há também inúmeras escolas da rede privada empenhadas em capacitar seu corpo docente de maneira contínua e planejada, implantar atividades interdisciplinares instigantes aos educandos, implementar os mais modernos recursos tecnológicos possíveis a serviço da Educação.

Com raras exceções, a política educacional brasileira, mesmo com seus arroubos de desenvolvimento progressista coletivo, sua vontade de implantar programas capazes de prover capacitação para educadores e disseminar uma nova maneira de ensinar usando recursos tecnológicos ( sejam eles TV, vídeo, Internet) ainda tropeça nas próprias pernas, se arrasta na burocracia, se perde nas mudanças de planos ao sabor das mudanças de seus dirigentes, na falta de um planejamento estratégico que possibilite uma real implantação e continuidade destes projetos bem intencionados.

Não adianta dotação de verba seja em esfera estadual ou federal, para a compra de computadores, vídeos, se não há quem os saiba operar.Mesmo havendo pessoal habilitado para isto, há necessidade de uma infraestrutura pedagógica que possibilite ver esse novo ferramental não como mais um recurso aliado ao ensino tradicional, ou um mero modismo tecnológico, mas como uma nova possibilidade de ensinar, um novo jeito de aprender.

Estamos aqui falando de mudanças de cultura, revisão de valores, do que se considera ideal que um aluno possa aprender, como ele pode aprender. É fazer com que estes educandos sejam formados dentro de um novo paradigma educacional, aprendendo a aprender, aprendendo a pensar, competências essenciais na sua vida futura quando se tornarem adultos.

Mas alguns poderiam questionar a validade da implantação dessas novas tecnologias em tão distante lugares, classes perdidas no fundo dos sertões desse País. Para que serviria um vídeo, um computador, uma TV numa precária escola rural?

A questão que se levanta é: se pudermos através da utilização de multimeios tornar mais atraente e cooperativa a educação formal, fazer com que ela fique mais praseirosa, mais próxima dos padrões estéticos e comunicacionais da educação não formal( TV, vídeo, cinema como lazer) por que não usá-las?

Se as linguagens audiovisuais possibilitam um aprendizado mais intenso, rápido, captam e cativam mais a atenção do espectador- aluno, seduzem-no pelos sentidos, pela emoção, por que não usá-las para a divulgação de informações que possibilitem a construção do conhecimento de novos valores sociais, de uma visão mais ecológica, do desenvolvimento sustentável ,da cidadania, de uma socidade mais justa e integrada num panorama global?

Se insistirmos na tese de que já há muita exclusão social e econômica para se ficar gastando verbas em tecnologia que possibilitem novas formas de aprender e ensinar, estaremos ratificando essa exclusão, pois aqueles de uma visão educacional mais ampla ( e que teriam acesso a estas tecnologias) privarão uma geração de educandos de entrar em contato com esses novos recursos, e assim não teremos multiplicadores em número suficiente para a formação de uma massa crítica de educadores e aprendizes capacitados, continuaremos a ter uma massa de "desassistidos tecnológicos" ,incapazes de interagir com essas tecnologias, fazer uso dela das informações por ela passadas, dentro de um contexto e valores regionais e culturais; interagindo e tendo a possibilidade de se educarem como cidadãos dentro de um contexto mais globalizado.

Nosso sistema educacional é rígido em seus princípios, resistente a mudar, experimentar coisas novas. Para que se tenham verdadeiros educadores, facilitadores, é necessário sair da acomodação pessoal e organizacional , mas isso com certeza gera insegurança, pois para ensinarmos de um modo novo, mais eclético, precisamos aprender enquanto educadores, da mesma maneira.Isso significa rever os paradigmas sobre a educação, trabalhar internamente a insegurança a respeito do contato com o novo, ser humilde o suficiente para se perceber que o conhecimento acumulado por anos a fio dentro da estrutura tradicional de ensino e durante a formação acadêmica podem estar indo por água abaixo, ficando defasado e arcaico.

O uso da tecnologias da informação na educação depende de como o professor entende a transformação da sociedade, que perfil deve ter o aluno de hoje para se transformar no profissional do futuro, do próximo milênio. Depende também das suas crenças pessoais, de como entende a educação, quais os valores que ele deseja passar para seus alunos. Se o educador é um facilitador da aprendizagem, uma pessoa que sabe compartilhar, que estimula o crescimento individual e do grupo, e busca pessoalmente sua excelência pessoal e profissional, com certeza terá seu trabalho reconhecido e colherá resultados efetivos e duradouros na formação de seus alunos.Ele será lembrado como uma pessoa "que fez a diferença" durante a fase de estudos destes aprendizes, alguém que os ajudou a enxergar o mundo com olhos, mente e coração abertos.

A questão que se coloca é como educar, formar cultural e tecnologicamente esta criança ou adolescente para que possa ter as habilidades necessárias para ser capacitado social e profissionalmente; se sobressair num mercado de trabalho onde a cada dia se exige mais conhecimento multidisplicinar, um profissional que saiba obter informações em múltiplas fontes, manter-se atualizado, processar essa informação e integrá-las ao conhecimento previamente adquirido.

Que competências essenciais se pressupõe que este cidadãos e profissionais devam ter?

A era do conhecimento previlegia as pessoas com visão ampla, de pensar sistêmico, que buscam o autoconhecimento como forma de crescimento e ao mesmo tempo valorizam a realidade interrelacional em todos os níveis sociais, do pequeno grupo ao seu redor a um universo humano a qual pertencem.

Eles devem ser flexíveis, aptos a interagir em sistemas organizacionais com hierarquiais mais fluidas, criativos, atentos às necessidades emergenciais, e sobretudo abertos às novas e mais inusitadas soluções. Indivíduos que Gardner definiria como inteligentes, no sentido mais amplo do termo.

Curiosidade.. palavra chave básica para o crescimento pessoal e profissional; embuídos da curiosidade que as crianças têm nos seus primeiros anos de vida, exploradores natos, a conhecer o mundo.Infelizmente o modo de ensinar da escola tradicional faz com que a curiosidade seja atributo secundário, o aluno é visto como um mero receptor de conteúdos e informações desvinculadas com seu cotidiano, um potencial database de informações desconexas. Curiosos para irem atrás de informações necessárias em múltiplas fontes, peças que possam compor ou completar seu quebra cabeça mental em busca da obtenção de conhecimento, que possa ser aplicado, produtiva e coletivamente, compartilhado, privilegiando uma visão coletiva.

Aptos também a correr riscos, testar novas estratégias para fazer coisas habituais. E acima de tudo, ávidos, num movimento crescente e contínuo de aprender sempre; como diz Gonzaguinha: "Viver e não ter a vergonha de ser feliz…cantar, e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz"

Aprender a aprender, aprender a pensar, valorizar o como se aprende, o que se sabe, dotar-se de uma competência consciente sobre seu próprio conhecimento e valor.

Indivíduos capazes de vivenciar a multiculturalidade, tendo objetivos definidos para sua vida, uma missão de vida clara e uma amplitude de visão, enxergando seu existir e seu trabalho como parte de um sistema maior, integrado no grupo mais próximo, na organização e no social global.

Mas de que adianta ter acesso à informação, tranformá-la em conhecimento, sabedoria pessoal e excelência profissional se não se compartilha? O aprendiz jovem de hoje deve ser orientado a se tornar um cidadão consciente, conectado com as mudanças do mundo, um usuário prazeroso da tecnologia e que saiba agir, colocar em prática seus ideais em busca de um mundo mais justo, onde haja respeito, solidariedade e menos exclusão cultural e econômica.

O momento exige uma reflexão sobre o quanto os educadores estão confortáveis em relação ao uso das tecnologias no nosso cotidiano pessoal e especialmente de que maneira repassam esta percepção aos seus alunos.O que os ameaça, os intimida ao imaginar uma sala de aula plena de recursos audiovisuais e onde o computador tem papel essencial na busca da informação?

Fazer o que se fala…essência do ensinar congruente.O educador que tiver intimidade e se sentir confortável com as tecnologias e suas aplicações educacionais, poderá passar naturalmente a seus alunos a aplicabilidade e as vantagens de sua utilização destas na construção do conhecimento.

E como fazer isso? Experimentando, vivenciando o uso da tecnologia na educação, especialmente o computador e seus recursos interativos da Internet.

Um bom início seria começar a usar o computador domesticamente, quem sabe pedindo ajuda aos filhos , que com ele tem tanta intimidade; procurar se capacitar fazendo pequenos cursos presencialmente ou pela internet( há muitos deles, disponíveis na rede e gratuitos); procurar ler os cadernos de informática semanais que são publicados na maioria dos grandes jornais, comprar um CD ROM educativo e ver como ele funciona…

Uma outra forma de participação ativa que pode ser experimentada pelos educadores é compartilhar junto a seus pares a busca e troca de informações e vivências didáticas em listas de discussão. Elas podem ser encontradas na Internet, existem milhares delas( sinal de que há interesse, vontade das pessoas de se comunicarem, compartilharem seu conhecimento). Elas possibilitam aos educadores estarem atualizados com as novidades da educação, os trabalhos de ponta, as experiências inovadoras de outros membros ( com seus erros e acertos). É uma oportunidade , um canal fantástico para se modelar experiências, tentar aplicá-los no cotidiano da sala de aula.

O educador poderá se sentir confortável se aprender a navegar e conhecer inúmeros sites na Internet, estruturados para auxiliar os que estão começando a conhecer esta mídia.Eles possibilitam encontrar planos de aula com posturas inovadoras, como usar recursos pedagógicos e experiências até hoje não cogitadas. São boas fontes de dicas de aplicações como passam conceitos do novo pensar da educação.

Um outro recurso poderoso, os cursos on line de educação continuada e à distância. São como os cursos de extensão presenciais só que "cursados"à distância. É uma boa oportunidade de aprender em seu próprio ritmo, horário e disponibilidade, o que serviria de um contra exemplo típico para aqueles que alegam não ter tempo para se atualizar.

Na medida em que não há necessidade de se deslocar para um ambiente físico para que o processo educacional se realize, a sala de aula formal; pode-se aprender em casa,confortavelmente instalado, quando for possível, entregar trabalhos por e-mail, conversar virtualmente com seu tutor através de um chat, deixar mensagens e tirar dúvidas num espaço de fórum.

Com certeza esse novo jeito de aprender é atraente e por outro lado exige também disciplina, responsabilidade, um auto gerenciamento instrucional maduro, da parte de quem se inscreve num curso virtual, um novo jeito de entender e vivenciar a aprendizagem.

Um segundo passo, seria implantar pequenas ações na próprio cotidiano de trabalho.

Experimentando coisas simples , como a utilização de uma lista de e-mail dos componentes da classe e verificando a amplitude de interação que este instrumento possilita fora do espaço físico da sala de aula.

Uma ação que proporciona a troca de informações, transmissão de dicas e assuntos interessantes para se ler fora do espaço formal da sala de aula; um espaço de compartilhamento que vai além do didático, pois integra sem hierarquias todos os membros do grupo, envolvidos no processo de ensino apredizagem. Esta forma de se comunicar desenvolve responsabilidade, senso de grupo, respeito às considerações e pontos de vista dos participantes deste network relacional.

E quem sabe? Montar uma home page do curso, onde todos os alunos e o educador participariam da montagem, enviando textos, interagindo num espaço de fórum.

Avançando um pouco mais, o educador poderia gerenciar e auxiliar seus alunos em pesquisas com temas dirigidos. Como por exemplo, seriam sugeridos temas ou sites na Internet a serem lidos, consultados e comentados. Após um tempo, os alunos trariam sua visão crítica e analítica do material estudado, sob forma de um resumo enviado por e-mail a todos os participantes e posteriormente discutido em classe presencialmente.

Estas técnicas, essa nova abordagem de pesquisa amplia enormemente o horizonte das informações obtidas e a possibilidade de uma síntese em classe, presencialmente, gerando um conhecimento mais amplo, pois por essência ele é poli perspectivo, com diversas leituras individuais dos alunos e com componentes coletivos.

Cabe ao professor orientá-los no sentido de filtrar as informações significativas, as que realmente possam valer a pena para a construção significativo do assunto pesquisado; aprofundar a análise que em um primeiro momento é superficial e imediatista, voltada ao objetivo inicial , sem ter em vista o metaobjetivo do processo educacional que se tem presente. Este conhecimento, desenvolvido coletivamente é maior que a soma de cada componente individual, pois reve e amplia as informações iniciais trazidas, permite uma releitura das partes, em detrimento do novo todo, um pensar e repensar hermenêutico na construção deste conhecimento.

Como nosso pensar, nosso jeito de organizar as informaçòes e conhecimento em nosso cérebro é através de links mentais, é hipertextual, não linerar; conexões mentais de eventos, fatos e conceitos, ao professor cabe ser sensível, usar sua intuição e bom senso. Para que permita a boa fruição da informação, pontos de vistas particulares, instigando à busca de novas conexões com o conhecimento anteriormente adquirido e ampliando-o, relacionando-o ao cotidiano vivencial do aprendiz, para que esse faça sentido e tenha referências práticas.

A essência deste processo consiste em colocar-se "na pele" do aluno, do grupo, ser capaz de entender as intencionalidades destes elementos, respeitar os ritmos diversos de cada aluno, o ritmo do grupo, a capacidade de expressar e buscar relações e acima de tudo.Sob o ponto de vista pessoal do educador, ficar atento à sua própria postura, para não cair na armadilha centralizadora do ensinar tradicional, onde ele é o detentor do conhecimento.

É interessante levantar as possíveis crenças que possam estar permeando a formação dos educadores atuais, especialmente nesse momento de mudanças de paradigma e que talvez sejam elementos impeditivos da execução de ações como essas citadas anteriormente.

Expressões de crenças como essas dificultam a mudança pessoal de postura em relação a um novo olhar sobre a utilização de mídias como a Internet e seu arsenal de comunicação. Para que tenhamos uma educação mais ampla, mais adequada ao novo milênio, precisamos que haja uma releitura pessoal de cada educador, uma tomada de consciência de como cada um sente e convive com as novas tecnologias de uma maneira geral e em especial na educação. Este é um exercício de crescimento, de auto conhecimento, de percepção, de quanto estamos hoje, confortáveis , abertos, flexíveis ao que nos é novo e talvez desconhecido.

Uma discussão ampla e profunda de expressões de crenças como essas é o caminho para que se veja a utilização da tecnologia como ferramenta poderosa em sala de aula e também fora desta.O espaço das escola, das universidade, é um terreno fértil e propício para a discussão entre educadores, coordenadores e pessoas responsáveis pelos projetos de implantação de estratégias educacionais.

Se tivermos educadores seguros e conscientes dos benefícios que elas podem proporcionar, confortáveis e familiarizados com seu uso, com certeza se ampliarão as possibilidades de se ensinar e aprender de uma maneira mais alinhada com os valores modernos do que é educar.

Os participantes deste novo processo ( professores, alunos, coordenadores) experimentarão uma nova maneira de se relacionarem, vislumbrarão a possibilidade de serem mais criativos, exercitarem a participação ativa no processo educacional e um compartilhamento que propicie a obtenção de um conhecimento culturalmente mais amplo.

Uma consideração final: Como equilibrar a desconfiança, o ceticismo, a insegurança pessoal gerada no educador neste novo paradigma educacional com o deslumbramento total frente às novas mídias?

É necessário ser crítico, enxergar e utilizar a tecnologia aplicada à educação com bom senso, sem entendê-la como a pancéia para todos os problemas de ensino, ou como o monstro destruidor da educação tradicional.

Não é necessário abrir mão de valores, de iniciativas e métodos que funcionam dentro do ensino tradicional, que possibilitem o crescimento pessoal e intelectual dos aprendizes. Mas sim, revê-los sob um novo olhar pedagógico, agregar valores, experimentar, sentir até onde o uso da tecnologia pode ajudar, acrescentar, melhorar a qualidade das relações professor aluno; ampliar a busca da informação, possibilitar a construção de um conhecimento multimensional, multicultural, e preparar alunos a serem pessoas e profissionais centrados, alinhados com as exigências sociais do próximo milênio.

 

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