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Autor - Daniel Gohn

As We Might Think

Vannevar Bush

O texto "As We Might Think" foi originalmente publicado na edição de julho de 1945 da revista The Atlantic Monthly. Seu autor, Dr. Vannevar Bush, coordenava aproximadamente seis mil cientistas americanos em pesquisas científicas de aplicação militar. Nesse artigo ele discute as novas direções a serem tomadas com o final da guerra, especialmente a necessidade de tornar mais acessível a cada vez maior quantidade de informações disponíveis ao conhecimento humano.

Com a guerra, dizia Bush, muitos pesquisadores tiveram que mudar suas linhas de trabalho para se adaptar à nova realidade que enfrentavam. Os biologistas, em especial na área médica, não mudaram tanto seus rumos – continuavam na missão de descobrir novas formas de salvar vidas. Os físicos, entretanto, saíram de seus meios acadêmicos para construir máquinas destrutivas, e então deveriam redirecionar seus estudos.

Em que sentido o homem estava usando a ciência? Primeiramente, para um melhor controle do ambiente, desenvolvendo roupas, comida e abrigos, gerando segurança. Também um maior conhecimento biológico afastou doenças e permitiu uma vida mais longa. As interações do psicológico com o fisiológico trouxeram a promessa de uma melhor saúde mental.

Mas havia muito material de pesquisa, e quanto mais a especialização aumentava mais se tornava impossível acompanhar os novos descobrimentos. Um exemplo disso no passado foram os conceito genéticos de Mendel, que não foram usados por uma geração pois não chegaram até aqueles poucos que poderiam compreendê-la e expandi-la. Bush indica alguns campos em que avanços eram iminentes na época: a fotografia, o fac-símile, e o microfilme, com o qual a enciclopédia britânica poderia ser reduzida ao tamanho de uma caixa de fósforos.

O texto diferencia o pensamento criativo do repetitivo, sendo que para este último pode-se criar aparatos mecânicos que ajudem na realização de tarefas. A aritmética e a estatística foram as primeiras áreas beneficiadas neste sentido, e na época isso não se expandiu por razões econômicas – não havia um mercado para equipamentos realizando análises mais avançadas. Todavia, toda vez que fatos são registrados de acordo com um processo lógico estabelecido, o pensamento criativo está preocupado apenas com a seleção de material, e sua manipulação será feita de forma repetitiva, podendo então ser relegada às máquinas.

Dr. Bush dá exemplos de situações que poderiam ser manipuladas por máquinas de acordo com a lógica formal, principalmente em processos de seleção. Em uma fábrica, usando-se cartões perfurados, poderia-se saber quem fala espanhol e mora em determinada cidade. Numa loja de departamentos, para cada venda deve-se pensar no inventário dos produtos, na conta geral da loja, o crédito deve ser dado ao vendedor, e o consumidor deve ser cobrado. Com três dos mesmos cartões perfurados, a partir de uma central de dados, pode-se fazer tudo isso – o cartão do vendedor, o do comprador, e o do artigo vendido.

O problema maior dos processos de seleção é o sistema de indexação. Os dados eram armazenados em ordem alfabética ou numérica, eram guardados em apenas um lugar, e para serem achados tinha-se que trilhar suas subclasses. A mente humana, no entanto, age por associação, e para tentar usar esse princípio Vannevar Bush propõe uma máquina que ele chama de "Memex". Aqui há uma visualização do que muitos anos mais tarde viria a ser o computador e o hipertexto, e sua capacidade de antecipar o futuro é realmente deslumbrante.

O "Memex" seria uma mesa com telas de vídeo, um teclado, e outros comandos. Materiais para alimentá-lo poderiam ser comprados em microfilme – livros, jornais, fotografias. Seria possível conectar itens através de códigos, criando-se assim uma trilha com todos os dados referentes a certo assunto. Quando um texto estiver presente em uma tela existe a opção de colocar um outro na tela ao lado, para que tudo que está indicado seja consultado simultaneamente. Com isso Dr. Bush previu novas formas de enciclopédias e médicos pesquisando casos semelhantes aos que estariam enfrentando em seus pacientes. Ele também indicava o caminho da multimídia: "Nossos passos na criação ou na absorção de materiais acontece através de um dos sentidos – o tato quando tocamos nas teclas, o oral quando falamos ou ouvimos, o visual quando lemos. Não será possível que algum dia o caminho possa ser estabelecido mais diretamente?".

Pensar que todo esse raciocínio foi desenvolvido nos meados dos anos 40 é algo assombroso. O hipertexto foi aqui apresentado à humanidade pela primeira vez, a partir de sua necessidade, sem que houvesse a tecnologia para que ele se tornasse realidade. Na verdade até hoje não temos o que Vannevar Bush propôs, pois o hipertexto, na forma em que existe, não nos oferece a opção de criar nossas próprias trilhas, ao contrário do "Memex". Talvez as previsões ainda sejam válidas para um outro futuro.

 

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