Fatores importantes para desenvolvimento de cursos on-line

 Maria Cecilia dos Santos Chaves*

Este artigo traz de forma objetiva as principais questões que se deve ter em mente quando se pretende desenvolver um projeto para implantação de um curso on-line, seja totalmente virtual ou para ser usado como apoio a cursos presenciais e semi-presenciais. 

[Etapas] [Esquema] [Diagnóstico] [Design instrucional] [Pré-implantação] [Implantação] [Pós curso] [Preparação alunos] [Netiqueta] [Orientações aos alunos] [FAQS e tutoriais] [Gerenciamento do tempo] [Semana de integração] [Preparação do professor] [Interfaces] [Histórico do Hipertexto] [Hipertexto/Hipermídia] [Alguns cuidados] [Bibliografia]

 


Etapas do desenvolvimento do projeto

Abaixo estão listados os fatores considerados essenciais para que um curso on-line atinja seus objetivos; qualquer falha de planejamento ou capacitação seja de alunos ou professores para trabalhar neste ambiente, podem levar à frustação e perda de motivação. Interfaces bem desenhadas, material adequado e atrativo são tão essenciais como o suporte tecnológico e um sistema de entrega eficiente. 

·         Um projeto instrucional com objetivos bem definidos, público alvo e expectativas claras.

·         Design instrucional que valorize a interatividade, feedback técnico e afetivo; colaboração e aprendizado ativo (contextualizado) e investigativo; também se adapte aos diferentes estilos de aprendizagem dos participantes.

·         Escolha de mídias apropriadas que possam dar suporte ao ambiente a ser criado, com uma boa relação de custos, vantagens e benefícios, tanto financeiros quanto pedagógicos.

·         Um bom design da interface (preferencialmente desenvolvido por equipes multidisciplinares) e do ambiente de aprendizagem, que seja transparente ao usuário e ecológico nas questões técnicas e de acesso à rede 

·         Desenvolvimento de material didático, normas administrativas, tutoriais e FAQS. Os conteúdos devem ser apresentados para acesso on-line de forma estimulante ao intelecto e aos sentidos, gerando curiosidade. Que seja objetivo, informe com clareza, seja constantemente atualizado e use preferencialmente hipertexto e multimídia. 

·         Um bom suporte técnico que garanta a resolução de problemas encontrados pelos alunos no uso do ferramental, para que estes problemas não desmotivem o participante ou impeçam a aprendizagem

·         Bom sistema de entrega e controle

·         Preparação adequada do instrutor que dará apoio e tutoria ao curso. Tratando-se de um novo ambiente de aprendizagem, existem tempos diferenciados para feedback, animação da comunidade discente e apoio afetivo e instrucional.

·         Ambientação dos alunos em relação às formas de interagir pessoal e coletivamente e bom domínio dos recursos tecnológicos que darão suporte ao curso.

 

  Diagnóstico (o que, onde, para quem, como)

·         Levantamento do público alvo e suas necessidades

·         Pré-requisitos, contexto social, geográfico e tecnológico

·         Expectativas do instrutor e se possível dos alunos

·         Formulação de objetivos gerais e específicos

·         Definição de conteúdos

·         Cronograma de desenvolvimento e implantação do projeto

 Design Instrucional (como, com quem)

·         Escolha da estratégia pedagógica (metodologia, instrumentos e critérios de avaliação)

·         Montagem da equipe multidisciplinar (professor, conteudista, suporte técnico, designer gráfico, webmaster, administrador, pedagogo)

·         Estratégias de remuneração de professores conteudistas e tutores; direitos intelectuais sobre o material produzido

·         Criação do story board do curso - esqueleto estrutural do curso

·         Design da interface Web

·         Desenvolvimento do lay out para posterior formatação do material didático (orientado à Web), FAQS ( perguntas mais frequentes), tutoriais, bibliotecas virtuais; textos, vídeos, animações, coleta de fotos, escaneamento, criação de imagens, captura e gravação de sons e textos falados

·         Escolha das mídias  e ferramentas (gerenciamento, comunicação síncrona e assíncrona); harware e software tecnológico que dê suporte ao curso

·         Construção dos instrumentos de avaliação iniciais (formulários, testes, testes com correção automática)

 Pré Implantação

·         Treinamento de tutores, auxiliares e help desk

·         Planejamento da logística dos eventuais encontros presenciais

·         Formação de convênios e parcerias para atividades práticas (laboratórios, estágio supervisionado, trabalhos em grupo) e provas presenciais

·         Definição da metodologia e critérios de avaliação do própria performance do curso

·         Avaliação pré-lançamento

 Implantação

·         Entrega e manutenção

·         Ambientação dos alunos

 Pós curso

Avaliação e acertos para cursos futuros

 Como se pode notar, a preparação e implementação de um projeto de Educação a distância é constituída de inúmeros passos, muitos aspectos e detalhamentos a serem levados em conta.

Nosso enfoque é aprofundar um pouco mais as questões relativas à boa orientação do uso do ambiente virtual de aprendizagem, das ferramentas de comunicação síncrona e assíncrona, do eventual software integrado, e da própria dinâmica interacional dos cursos on-line.

 

 

Divulgando as regras de Netiqueta

Para se garantir uma interação eficaz, sem muitos ruídos de comunicação e buscando minimizar mal entendidos, é interessante se conhecer algumas regras básicas de etiqueta usadas nas comunicações mediadas por computadores 

As comunidades virtuais tem características próprias, regras e costumes advindos da própria cultura de cada grupo formado, mas em geral seguem alguns parâmetros básicos de etiqueta que ajudam no relacionamento, polidez e que de alguma forma visam suprir a falta da comunicação não - verbal, as pistas visuais e auditivas que se capturam numa conversação presencial.

 Orientações aos alunos visando que estes possam aproveitar bem o curso

·         Esteja aberto a compartilhar suas experiências pessoais, profissionais e educacionais como parte do processo de aprendizagem.

·         Utilize os benefícios da comunicação assíncrona; ela ajuda os mais tímidos; os que necessitam de maior tempo de reflexão para elaborarem comentários e tarefas escritas; os que tenham pouca assertividade em interromper discussões; além de ser  um espaço comunicacional com menores preconceitos.

·         Seja hábil na comunicação escrita, já que esta é a maneira principal de interação on-line.

·         Seja organizado – a liberdade e flexibilidade de encaminhar seu próprio aprendizado, exige organização de tempo e garantia de um espaço físico tranquilo para os estudos.

·         Saiba pedir ajuda quando se sentir confuso, frustrado, desmotivado, fora do ritmo da turma, com problemas de entendimento de conteúdos, e questões técnicas. Como não há contato presencial com o professor, ele só saberá de suas dificuldades se você as comunicar. A franqueza e humildade são atributos essenciais neste ambiente de aprendizagem

·         Acesse regularmente (1 vez ao dia) o site do curso, leia e responda às mensagens, leia os textos indicados e faça as pesquisas pedidas pelo professor ou necessárias ao seu aprendizado.

·         Desenvolva a capacidade de reflexão e saiba interagir com múltiplos assuntos e opiniões diversas sobre os mesmos.

·         Sinta que a aprendizagem de alta qualidade se dá sem necessariamente estar em uma sala de aula presencial

·         Colabore em grupos, aprenda a ouvir e construir um conhecimento compartilhado

·         Aplique o que você aprendeu e traga ao ambiente colaborativo suas experiências e descobertas.

 Informando o aluno através de FAQS, tutoriais e guias de estudo

FAQS (Frequent Asked Questions) ou dúvidas mais frequentes - essenciais, já que proporcionam ao aprendiz, especialmente os não muito familiarizados com o ambiente de aprendizagem on-line, acesso às questões mais frequentes. Estas questões devem ser atualizadas com regularidade, para poder refletir o momento do grupo e seus questionamentos.

Tutoriais - auxiliam o aluno no manejo das ferramentas utilizadas no curso, mostram os problemas mais comuns que podem surgir e suas possíveis soluções 

Muitas vezes, por timidez, o aprendiz deixa de perguntar ao tutor dúvidas simples, se não resolvidas podem impactar negativamente o aprendizado. As dificuldades geradas ao não conseguir estabelecer uma relação dinâmica com o hipertexto, problemas com o uso das ferramentas utilizadas para acesso e acompanhamento do curso (e-mail, chats, fórum, envio de arquivos anexados e zipados) podem gerar uma grande sensação de incapacidade e consequente perda de motivação, o que em geral leva o aluno à desistência ou participação irregular no curso.

É interessante montar também uma lista de FAQS para orientar alunos quanto ao perfil necessário para se inscrever no curso, como serão as aulas, avaliação, pré-requisitos, especificação de hardware e software necessários, número de horas por semana de dedicação, etc. 

Em http://penta.ufrgs.br/pgie/groupware/faq.htm você poderá ter uma noção de como são elaboradas as questões e respostas às dúvidas dos alunos que procuram pela primeira vez um curso à distância. 

Guias de estudo – são importantes para situar o aluno frente ao material a ser estudado, as dinâmicas de grupo, busca de informação pela Internet, uso de ferramentas colaborativas, navegação em textos linkados, cronograma do curso. As instruções de acompanhamento do curso devem ser claras, escritas numa linguagem concisa e objetiva. Informações ambíguas quanto a procedimentos, prazos para leitura e entrega de trabalhos, número de intervenções esperadas do aluno seja via e-mail ou fórum podem gerar alta confusão e frustração . Quanto mais se atentar à universalidade da linguagem, mais chances de que se entenda o que foi proposto pelo professor.

Auxiliando o aluno a administrar seu tempo

Como foi dito anteriormente, a liberdade e flexibilidade de gerenciar sua própria aprendizagem, impondo um ritmo pessoal, exige do aluno uma administração de tempo cuidadosa, para que esteja apto a atingir os objetivos propostos pelo curso. Em geral são necessárias 2 horas/ dia de dedicação ao curso, para leitura de e-mails, comentários, elaboração de material, chats.

O compromisso e disciplina são essenciais para evitar frustração ao perder o ritmo das discussões, não conseguir entregar as tarefas nos prazos; desmotivando o aluno e fazendo com que ele pense em se desligar do curso.

O Prof. Eduardo Chaves escreveu um texto interessante sobre administração do tempo “Administrar o tempo é planejar a vida” disponível em http://www.edutecnet.com.br/texts/self/misc/timemgt2.htm  onde faz algumas colocações muito úteis a respeito do tempo. Destaco aqui alguns pontos principais, que com certeza serão úteis a você e para seus alunos

·         Administrar o tempo é ganhar autonomia sobre a vida; é saber definir prioridades

·         Liste o que é importante e urgente; o tempo é perecível

·         Quem tem tempo não é quem não faz nada, é quem consegue administrar o tempo que tem de modo a poder fazer aquilo que quer.

·         Ser produtivo não equivale a ser ocupado; o que importa é a concentração de esforços e o sentido de direção

·         Não basta apenas ter objetivos, eles devem ser transformados em metas quantificáveis e com alternativas de ação.Essas possíveis rotas propiciam mudanças de rumo quando necessário. 

·         Quanto mais flexíveis formos, maior as chances de atingirmos nossas metas, pois estaremos conscientes das mudanças necessárias em direção ao que ecologicamente buscamos.

 Semana de Integração

Muitos dos cursos on-line pecam em pressupor que os alunos conheçam o ferramental a ser utilizado. Fatores importantes que o aluno on-line deve atentar -  entender e se familiarizar com o novo conceito de tempo e espaço que caracteriza o ciberespaço, saber administrar o próprio tempo de estudo (a desculpa do "não tenho tempo", passa a não mais fazer sentido), reconhecer os melhores horários para se estudar produtivamente, entender como se dá seu ritmo de aprendizagem, sincronizar-se com o ritmo da turma e manter-se motivado.

Para que a adaptação seja estimulante antes do início do curso, propriamente dito, fazer com que os alunos participem de um pré curso de ambientação pode ser extremamente útil tanto ao aluno como ao professor. É a oportunidade do aluno começar a se sentir confiante no manejo das ferramentas, vivenciar a interatividade em relação a interfaces e conteúdo, além de aprender a interagir com seus pares e o professor. Neste contexto, desenvolve-se um clima de confiança e companheirismo, uma comunidade virtual. Quando o curso oficial se inicia, os alunos estarão mais aptos a interagir, compartilhar e trabalhar colaborativamente

Como podemos perceber, a preocupação em adequar o aluno ao novo ambiente e a este novo modelo pedagógico, é crucial e não pode ser relegada a segundo plano pelos estrategistas e designers de EAD.

Sobre esta importante questão da ambientação do aluno, leia o artigo do Prof. Wilson Azevedo  "Muito Além do Jardim da Infância - O Desafio do Preparo de Alunos e Professores On-line"  http://www.stprj.br/abed/99html

 

É importante que o professor esteja confortável no ambiente on-line de aprendizagem, para que possa passar segurança aos seus alunos e lhes dar apoio efetivo nas mais diversas situações. Isto inclui o domínio dos aspectos técnicos, estilos de comunicação das mídias síncronas e assíncronas, atuação como moderador. Na bibliografia você encontra links interessantes que discutem a questão dos possíveis papéis que um bom moderador pode estar assumindo durante o gerenciamento de um curso on-line.

 

Outro aspecto importante em design instrucional para EAD é o desenvolvimento de interfaces bem planejadas, elegantemente construídas com recursos de multimídia, sendo acima de tudo ergonômicas e intuitivas ao usuário.

Buscamos ao planejar um projeto educacional a comunicação com baixo ruído de interferências não produtivas na construção do conhecimento pessoal e coletivo. Desta forma, vamos detalhar um pouco mais a questão da organização no planejamento de cursos em EAD, falando sobre Hipertexto, Hipermídia, essenciais para criação de interfaces amigáveis e um material didático atraente e consistente em informações.

Um pouco da história do hipertexto

A idealização do que seria o hipertexto surgiu em 1945 com Dr. Vannevar Bush, tendo sido primeiramente publicado na Revista Atlantic Monthy no texto "As We Might Think". A idéia surgiu em decorrência da característica do trabalho deste, coordenando cerca de 6000 cientistas e tendo que gerenciar um volume imenso de informações.

Ele propôs a criação do Memex, uma máquina que funcionaria categorizando e inter  relacionando através de associações um número infinito de informações. Segundo Bush, ela seria similar ao que nosso cérebro faria no processo de associação de idéias e gerência estruturada das informações a que estamos expostos. Sua idéia extrapolava o sistema vigente de indexação por ordem alfabética ou numérica.

O Memex consistia de uma mesa com telas de vidro, teclado e outros comandos. A alimentação de informações seria através de microfilmes de materiais impressos ou vídeos. Criar-se-iam trilhas para busca de informações através de todos os conteúdos, de maneira completamente ampla. O resultado das interconexões seria disponibilizado em telas, umas ao lado das outras do material referente (o que podemos chamar hoje de um sistema Hipermídia, agregando, textos e imagens).

Bush foi um visionário para sua época, propondo o que seria hoje o computador e o hipertexto. Seu sistema era completamente interativo e com possibilidades infinitas de associação. Até hoje não conseguimos por questões técnicas viabilizar o que seria o Memex, pois isto demandaria uma base de dados extremamente complexa e de difícil gerenciamento, além do fato que reunir informações dispersas em vários meios e formas, selecioná-las, contextualizá-las e orientar o usuário neste sistema tão amplo seria extremamente complicado.

O Hipertexto que conhecemos hoje não tem as características amplas e irrestritas de associações propostas por Bush; ele é limitado às trilhas de interconexões proposta pelo designer ou administrador de dados e não apresenta a amplitude de interatividade e não linearidade total de associações.

A metáfora do Hipertexto e da Hipermídia se aproxima muito do que se imagina ser a organização menta. O cérebro organiza as informações e constrói conhecimento em redes, em várias direções, de uma maneira não linear; em fronteiras difusas, com associações amplas de palavras e assuntos, numa grande "sopa de conhecimento".

No Hipertexto e Hipermídia palavras, códigos, listas, imagens, sons, podem ser linkados a seus pares ou não de uma maneira randômica. Ele nos ajuda a tecer conhecimento em um conjunto coerente, utilizando informações de múltiplas fontes, apresentadas em várias mídias que estimulam todos os nossos sentidos e enriquecem nossa representação interna de um determinado conteúdo.

Usando hipertexto  e hipermídia no desenvolvimento de material educacional

A aplicabilidade do hipertexto e da hipermídia nos processos educacionais é de extrema riqueza e amplitude. Obviamente devemos enquanto designers ter em mente o quanto de informação devemos disponibilizar em nossos cursos, de que forma e em sequência o faremos, o que será discutido com mais detalhes adiante.

Sabemos que aprender envolve mais do que estar exposto às informações, este processo se dá factualmente e emocionalmente e neste último ítem a hipermídia tem se apresentado como um grande trunfo, já que possibilita expor o aprendiz a sons, imagens, animações, simulações, realidade virtual, impactando os sentidos e sensibilizando-o pré logicamente. Os sons e imagens (sejam vídeos, fotos, narrações, música) ampliam o impacto do texto puro.

Quando o aprendiz está inserido num contexto de estímulos visuais, auditivos e potencialmente alavancadores de estímulos cinestésicos (sensações), esperamos que ele esteja mais engajado, inteiro dentro do processo de aprendizagem. 

Muitas pesquisas se têm feito para verificar se a Hipermídia acelera o aprendizado. Os resultados encontrados são um pouco divergentes. Mas de uma maneira geral pode-se dizer que o hipertexto (com suas ligações e nós do hiperespaço) parece funcionar como apoio à aprendizagem e facilitam a construção do mapa conceitual dos alunos.

Alguns cuidados devem ser tomados quando do uso do hipertexto em educação

Uma estrutura onde os links não são bem direcionados, pode levar à sensação de perda de controle do processo, da próxima ação a realizar; gerando confusão cognitiva e prejudicando a aprendizagem. Acabe-se ficando tão confuso na exploração do hiperespaço que se perde o foco da exploração ao nível conceitual. Uma saída é montar uma estrutura de links internos coerente e bem amarrada; para os externos a elaboração de pequenas resenhas sobre o que se encontrará nos sites a serem visitados. Além disso é essencial a distinção de cores entre links visitados e ainda não explorados.

Os estudos indicam ainda a importância que se deve dar à homogeneidade das apresentações (símbolos, árvores hierárquicas ou pastas); estrutura de links adicionais para um mesmo conteúdo; escolha adequada das metáforas visuais a serem utilizadas; construção efetiva de um tutorial hipermídia e os impactos da não linearidade na busca das informações.

Pode-se inferir também que as diferenças pessoais do universo cognitivo dos aprendizes na organização mental das informações , representação interna do conhecimento, forma como se relacionam com o material instrucional e suas estratégias internas de aprendizagem,fazem com que utizem o Hipertexto e a Hipermídia de maneiras diversificadas.

Ainda estamos longe de achar que conhecemos e usamos todo o potencial da hipermídia. Especialmente com a possibilidade em médio prazo do alargamento da banda de conexão na Internet, os conteúdos disponíveis serão maiores, melhor aproveitados, visual e sonoramente mais ricos e, talvez possam estimular aprendizagem mais efetiva.

De uma forma geral ao planejar um site instrucional devemos levar em consideração quatro fatores importantes: consistência, clareza, navegabilidade e rapidez.

Conteúdos coerentes, com sequências bem organizadas, linguagem clara (o tom dos textos na Internet estão entre o formal e informal) auxiliam a retenção das informações.

Quando o texto a ser disponibilizado ao leitor implica em conceitos que levariam a outros textos, o uso de links internos para aprofundamento do conteúdo ou explicação de termos; é extenso o melhor é subdividí-lo em várias páginas Web, para que a leitura na tela seja menos cansativa (ou colocar a informação mais aprofundada sob a forma de novas páginas, conectáveis através de links no hipertexto). Claro que tendo o cuidado de sinalizar com links de próximo, anterior, volta ou index de assuntos.

A rapidez de carga de uma página é essencial para que o aluno não se disperse e faça do seu tempo de conexão uma atividade produtiva e agradável. Temos que levar em conta que existem modens de várias velocidades, provedores de acesso com linhas telefônicas não tão eficientes. Alguns sites, quando disponibilizam arquivos de carga mais lenta (especialmente videostream), pedem que o usuário indique a opção de conexão, para concluir o download ou visualização do arquivo. Para ser ecológico com o usuário é preferível planejar o site para uma clientela que possua conexão de 28k.

A boa navegabilidade consiste em permitir ao usuário uma navegação fácil, intuitiva. A presença de menus de assuntos, frames, hierarquização de conteúdos, mecanismos de busca dentro do próprio site e um mapa deste, favorece a exploração do espaço informacional.

Outras considerações importantes

Quantidade de informação a ser apresentada - número de links por página de texto em uma tela - Sugere-se o suficiente para posicionar, encantar o aprendiz e remetê-lo (se houver interesse ou for o objetivo instrucional do designer) a outros links (textos, gráficos, imagens, sons, animações) de caráter mais denso e mais complexo. Excesso de links pode levar à dispersão, desvio do eixo esperado na manipulação do conteúdo a ser estudado. Uma boa estratégia é dosar a dificuldade do conteúdo, sem aumentar demais a entropia do processo, tornando-o mais "digerível" e mais administrável do ponto de vista do progresso da aprendizagem. Esta estratégia provavelmente mantém em bom nível o patamar motivacional do aprendiz, diminuindo as chances de frustração e de interatividade insuficiente com a interface e o conteúdo. 

Um sistema de navegação previsível, homogeneidade de padrões (sejam símbolos, frames, mapas hierárquicos ou árvores, mapas locais e globais dos objetos linkados), uma estrutura onde se evite excesso de relinkização, links que jogam de volta ao documento original (looping). É evidente que sempre para uma boa navegação disponibilizemos a opção de voltar (back)

Padronização de fundo de página e fontes - que sejam agradáveis ao olhar, fontes legíveis nas possíveis resoluções de vídeo, e sobretudo gerem um padrão visual não poluído e cansativo aos olhos. Em nenhuma hipótese, devem chamar mais atenção do que o próprio texto ou material disponibilizado na página.

Indicação dos diversos ambientes disponíveis em cursos on-line - quando se usa a metáfora da escola tradicional em cursos on-line, salas 1, 2…cantina, biblioteca, secretaria, etc…, não se deve abusar do número de links colocados em frames, em geral alinhados à esquerda (uma escolha natural, já que nossa forma de leitura ocidental é da esquerda para a direita), como orientadores da navegação. Não mais do que cinco a seis referências, sejam ícones de significação evidente ou palavras, com o risco de dispersar a atenção e confundir o aluno. O ideal, quando se quer colocar mais informação nestes frames é que ao clicar em cada um dos links deste, abram-se subclasses de assuntos. Eles podem ser disponibilizadas novamente como hiperlinks de palavras ou java que possibilite o highlight, ou ícones. Por exemplo, se temos um link para textos do curso, ao clicar do mouse, pode-se operacionalizar a abertura de Texto 1, 2…que ao serem clicados, jogam o leitor na página respectiva.

 
* Educadora licenciada pela USP; mestranda na Escola de Comunicações e Artes da USP, em Novas Tecnologias em Educação a Distância. Trainer Master Practitioner em Programação Neuro Linguística com foco em Organizações e Negócios. Consultora e facilitadora em treinamentos nas áreas educacional e empresarial; colaboradora da Escola do Futuro. Supervisora pedagógica e de conteúdo do grupo de EAD da Faculdade Sumaré.

 


Bibliografia

 A Guide to On-line Education
http://home.sprynet.com/~gkearsley/on-line.htm  

Ambientes Interativos de Aprendizagem e Trabalho por WWW. Fatores de Avaliação e Design -  Maria Inês de Matos Coelho em http://netpage.em.com.br/mines/artribie98.htm e A Interação no Processo de Educação à Distância  http://netpage.em.com.br/mines/semint.htm   

Designing a Virtual Classroom - Murray Turoff 
http://www.njit.edu/njIT/Department/CCCC/VC/Papers/Design.html  

Does Hypermedia Accelerate Learning? Gregg B. Jackson

http://www.techknowlogia.org/TKL_activ…/t-right.asp?FileType=HTML&ArticleID=1   

 Eastern New Mexico University - Asynchronous Learning : Site rico em artigos sobre os impactos da ALN, pedagogia on-line, estratégias instrucionais, ferramentas para uso assíncrono e síncrono http://www.enmu.edu/async/asynchronous.htm  

Educational Uses of the Internet
http://www.gei.net.au/~merlin/hpage/critl.htm   

Issues in Teaching with Technologies
http://olt-bta.hrdc-drhc.gc.ca/pract/issues.html  

The Encyclopedia of Educational Technology
http://coe.sdsu.edu/eet/

The Pedagogy of Web Site Design

http://www.aln.org/alnweb/magazine/issue.2/knox.htm

Ten Tips for Implementing a Distance Learning Program

http://www.lucent.com/cedl/tips.html

The Wellspring - An on-line comunity of distance educators

http://wellspring.isinj.com/