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Enviado por Daniel Gohn

Resenha sobre Adam Shaff

ACESSO REVISTA DE EDUCAÇÃO E INFORMÁTICA
Ano 5 - número 11 - janeiro 95

Em 1994, em Brasília, foi realizado, sob o patrocínio do Ministério das Relações Exteriores, o Seminário Internacional O Brasil e as Tendências Econômicas e Políticas Contemporâneas. Em clima de otimismo, participaram dos debates alguns dos nomes mais expressivos do meio acadêmico nacional e internacional.

O Seminário foi amplamente acompanhado pela imprensa e alguns dos assuntos abordados foram notícia de primeira página. Um destes, motivo de especial atenção, dada a celeuma gerada, foi a análise realizada pelo professor Gilberto Dupas sobre as conseqüências prováveis da chamada terceira revolução tecnológica, pessimista e destoante da tônica reinante. Impulsionada pela Informática e pela Microeletrônica, esta terceira revolução teria efeitos que apenas estariam começando a se esboçar neste final de século.

Dupas apontou aquela que seria a grande ameaça dela decorrente: a exclusão incontornável da maior parte da população mundial do mercado de trabalho. Para Dupas, os possíveis efeitos a médio prazo que podem decorrer dessa turba crescente de marginalizados pelo processo histórico são ainda incertos, e seu alcance é difícil de ser mensurado. Os sintomas, no entanto, estão à vista de todos - a eclosão de fundamentalismos, o renascimento do neofascismo, a multiplicação de organizações mafiosas, as migrações de povos inteiros e guerras civis por toda a parte.

A questão volta a ser motivo de debates e tem sido reenfocada pela nossa imprensa, sobretudo no segundo semestre do corrente ano, a partir do quadro econômico recessivo com o qual nos deparamos nos últimos meses. Em recente artigo na Folha de S. Paulo ("Não estão contando a verdade", edição de 1/10/95), o jornalista Gilberto Dimenstein afirma que o debate sobre o desemprego no Brasil está repleto de mentiras, manipulações e meias-verdades. O problema, diz ele, não está na alta taxa de juros mantida pelo governo, segundo alegam alguns empresários e economistas.O que está acontecendo é o desemprego estrutural ocasionado pela utilização da tecnologia nos processos produtivos. Quem tiver dúvidas, segundo ele, basta olhar os Estados Unidos, onde a tecnologia, imaginada para servir ao homem, vai cortando desvairada e incontrolavelmente cabeças por todos os lados. Apesar do contínuo crescimento econômico, prossegue Dimenstein, os Estados Unidos cortam 500 mil bons empregos por ano. Cada vez mais gente vive de bico, é expulsa para empregos de menor remuneração ou, apesar do diploma, acaba montando um pequeno negócio do tipo "vender cachorro - quente". O valor médio dos salários está caindo - é, inclusive, menor do que em 1973. 0 pânico do desemprego provoca histeria contra os imigrantes. O desemprego e suas várias modalidades (o subemprego, por exemplo) amedrontam este final de milênio. Por trás de tudo, finaliza o autor, vigora uma concepção insana que domina o mundo, liderada pelos Estados Unidos: o esforço febril para reduzir custos e aumentar a eficiência. A inovação tecnológica também está no cerne da migração rural, causada principalmente pela produção mecanizada e intensiva do campo, reduzindo postos de trabalho, expulsando lavradores para a cidade e aumentando o inchaço do setor terciário. Este, por seu lado, só oferece ocupações de baixa qualidade e baixa remuneração. Em alguns países industrializados, como o Japão e a Suécia, a introdução de inovações tecnológicas tem sido discutida entre a indústria e o governo com o objetivo de evitar um desemprego que depois possa custar mais caro à sociedade.

Estas considerações iniciais têm por finalidade mostrar a atualidade e a relevância do livro de Adam Schaff, A Sociedade Informática. Em linguagem acessível, voltada para um público iniciante em relação ao tema, o autor prenuncia o desemprego estrutural e a radical alteração nas formas de trabalho ocasionados pela inovação tecnológica, preocupando-se com o impacto das novas tecnologias ao conjunto da vida social e individual. Seu trabalho é, assim, uma busca de respostas e soluções alternativas para os problemas derivados da revolução fundada na Informática, na Microeletrônica e na Biotecnologia.

As conclusões são otimistas: sustenta que a automação da produção e dos serviços levará a um considerável enriquecimento da sociedade, e que esta riqueza será distribuída, seja qual for o sistema político, com um grau de eqüidade que garantirá uma opulência geral nas sociedades industrializadas.É importante lembrar que o livro foi publicado há cerca de dez anos, quando a Informática ainda estava em seu estágio inicial. Isto quer dizer que nem todas as previsões apontadas pelo livro se realizaram e que, em alguns casos, a realidade tem se mostrado frontalmente diferente de algumas delas.

Mas o mais importante é verificar que, no conjunto, o exercício de "futurologia sociopolitica" que o livro representa capta a essência e desenha com clareza e segurança o desenrolar de um complexo processo que tem ocorrido na humanidade nos últimos anos, facilitando a compreensão de nosso estar-no-mundo e apontando caminhos alternativos.

O autor dividiu o texto em duas partes básicas — "As conseqüências sociais da atual revolução técno-científica " e " O indivíduo humano e a sociedade informática ". Inicia a primeira parte fazendo uma breve análise da chamada segunda revolução tecnoindustrial.

Se a primeira revolução, dos fins do século XVIII, pôde ser caracterizada pela substituição da força física pela energia das máquinas, a segunda, que vivenciamos agora, teria como fundamento a ampliação das capacidades intelectuais do homem ou mesmo a sua substituição pelos autômatos, os quais eliminam, com êxito crescente, o trabalho humano na produção e nos serviços.

Esta segunda revolução industrial também pode ser compreendida como representando a confluência de três revoluções tecnocientíficas concomitantes: a da Microeletrônica a da Microbiologia e a da Energética. São estas, segundo o autor, as chamadas condições iniciais a partir das quais se dá todo um conjunto de mudanças na esfera social, econômica e cultural da sociedade.

Falando da primeira revolução, o autor diz que nem sempre nos damos conta de que estamos vivendo em uma acelerada e dinâmica revolução da Microeletrônica, desde objetos os mais simples, como televisores, calculadoras, telefones etc., que são elementos com presença garantida em nosso cotidiano, até aparelhos altamente sofisticados, que auxiliam a gerenciar empresas, estão presentes nos hospitais, controlam e executam tarefas nas linhas de produção etc.

A revolução da Microbiologia por outro lado, com a sua componente resultante, a Engenharia Genética, irá oferecer ao homem a possibilidade de interferir não apenas na natureza orgânica em geral, mas também em seu próprio"eu". Abre-se, assim, a possibilidade de se combater a catástrofe da fome, da desnutrição e as doenças endêmicas que assolam grande parte dos habitantes do Planeta, principalmente em determinados locais do Terceiro Mundo.

A revolução Energética implicaria, por sua vez, na utilização de novas fontes de energia (energia eólica, solar, térmica e a proveniente da fissão nuclear), com a substituição das atuais, que são insuficientes e estão se esgotando rapidamente.

O autor prossegue referindo-se às possíveis mudanças que estariam ocorrendo na formação econômica da sociedade em decorrência das três revoluções citadas. Entre elas, está a questão do desemprego estrutural gerado pela automação e pela robotização da produção e dos serviços. Apresenta alguns dados: no Japão fala-se, entre alguns empresários, na eliminação completa do trabalho manual na indústria japonesa até o final do século. O Science Council of Canada Report prevê que 25% dos trabalhadores perderão seu emprego no Canadá até o final do século em conseqüência da automação. Nos Estados Unidos, serão eliminados 35 milhões de empregos até o final do século.

É evidente que são impossíveis previsões precisas e confiáveis neste sentido, diz o autor, mas uma coisa é certa: as conclusões otimistas extraídas dos estudos empíricos das relações entre inovações tecnológicas e emprego em um determinado ramo da indústria ou dos serviços, ao longo dos últimos cinco ou dez anos, parecem pouco confiáveis, metodologicamente erradas e (premeditadamente?) (sic) enganosas. E para Schaff, a tranqüilização da opinião pública e dos ramos da indústria e dos serviços interessados, contrariando a evidência dos fatos, é uma atitude socialmente prejudicial. Os males sociais que nos ameaçam só podem ser evitados com a adoção de medidas preventivas desde já e com a preparação de outras mais radicais para o futuro próximo.

Schaff continua sua análise: a capacidade de produzir o suficiente para o atual padrão de consumo em menos horas pode gerar desemprego ou, então, permitir que todos trabalhem menos. O fato é que, nos Estados Unidos e na Europa, talvez já não haja trabalho para ocupar por oito horas toda a população economicamente ativa. Uma opção é que alguns trabalhem muito e outros nada. Os ociosos podem ser sustentados pelos que trabalham. Outra possibilidade é reduzir a jornada, ampliar os anos de estudo obrigatório e adiantar a aposentadoria. Busca-se transformar o possível drama do desemprego estrutural em ganho de qualidade de vida.

Mas o que poderá acontecer quando a redução das horas de trabalho, para que todos tenham emprego, se aproximar do ponto zero? No entanto, imaginar uma sociedade sem trabalho pode ser visto como algo paradoxal, uma vez que a época moderna acompanha a glorificação teórica do trabalho, que resultou, de fato, em transformar toda sociedade em uma sociedade de trabalhadores. E, como já se disse, "nos últimos três séculos o homem foi domesticado para o trabalho". A automatização traz a perspectiva de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho privados da única atividade que resta a eles.

Para Schaff, a preocupação com a manutenção de um crescente grupo de pessoas sem trabalho deve ser do Estado, e se a sociedade se enriquece com a nova revolução industrial, consequentemente ela deve arcar com os custos do incremento do desemprego estrutural derivado desta revolução.

Mas as conseqüências da segunda revolução industrial não se manifestarão apenas na formação econômica da sociedade. As suas formações social e política também serão intensamente afetadas. Para Schaff, é um fato que o trabalho, no sentido tradicional da palavra, desaparecerá paulatinamente, e com ele o trabalhador e, portanto, também a classe trabalhadora entendida como a totalidade dos trabalhadores. Schaff prevê ainda, em sua análise, o fim das duas principais classes sociais — a dos trabalhadores e a dos capitalistas — e acredita que podem ocorrer mudanças de caráter socialista.

Para o autor, enquanto o caráter da formação econômica da sociedade é determinado pela propriedade dos meios de produção, o da formação social da sociedade o é pela estrutura de classes, e o da formação política da sociedade é determinado pela relação entre indivíduo e sociedade, isto é, entre o indivíduo e as instituições públicas, principalmente o Estado.

Analisando as possíveis implicações da segunda revolução industrial no quadro político-social atual, o autor acredita na democratização das relações humanas: "a revolução da cibernética oferece uma existência que será qualitativamente mais rica tanto em valores democráticos como materiais".

Encerrando a primeira parte, o autor enfoca as possíveis mudanças que estarão ocorrendo na formação cultural da sociedade. Para Schaff, ao lado da questão do desaparecimento do trabalho, a mudança cultural será a conseqüência social mais importante da segunda revolução industrial. A sociedade informática escreverá uma nova página na história da humanidade, pois dará um grande passo no sentido da materialização do velho ideal dos grandes humanistas, a saber, o do homem universal, em dois sentidos: no de sua formação global - fugindo do estreito caminho da especialização unilateral, e no de se libertar do enclausuramento em uma cultura nacional, para converter-se em cidadão do mundo.

Posteriormente Schaff identifica três esferas de problemas: a difusão da cultura, a difusão da cultura supranacional e a difusão de novos modelos de personalidade e de um novo caráter social dos homens. A difusão da cultura recebe atenção especial do autor, que acredita que ela será fortemente influenciada pelo desenvolvimento da tecnologia da Informática.

Para Schaff, as possibilidades neste campo são praticamente ilimitadas. O computador é um produto do homem, portanto parte de sua cultura. Servirá para muitos fins, e o autor vislumbra uma série de possibilidades de seu uso dentro da área educacional: como supermemória artificial que aliviará bastante a carga de memória humana, tornando assim muito mais fácil o processo de ensino; como executor de operações combinatórias; como idealizador de novos métodos de conhecimento humano em muitas disciplinas; como agilizador do processo de aprendizado e de verificação dos conhecimentos dos alunos.

No final da primeira parte do livro, o autor aborda os impactos da segunda revolução industrial sobre os chamados países do Terceiro Mundo, fazendo uma observação crítica sobre a questão da classificação de determinados países incluídos neste conceito. Discute também outros conceitos vinculados - os de desenvolvimento e subdesenvolvimento. Para ele, a China apresenta determinadas características históricas, econômicas etc. que a tornam totalmente diferente dos países situados na zona do Saara, por exemplo. Países como o Brasil, México e Argentina, por outro lado, pertenceriam a outro contexto sócio-econômico e estariam passando por um processo de desenvolvimento que dificilmente se poderia considerar semelhante ao de países como, por exemplo, os do Oriente Médio. Basicamente,

Schaff busca responder à questão: o que poderia ocorrer nos países do Terceiro Mundo com o advento da segunda revolução industrial ?Se a primeira parte do livro diz respeito à segunda revolução industrial no que se refere a seus aspectos sociais, políticos, culturais, econômicos e a tendências e possíveis desenvolvimentos alternativos, a segunda parte tem como enfoque principal o indivíduo humano e seu possível destino em meio ao torvelinho das transformações que estão atualmente ocorrendo.

Para discutir tal temática, Schaff desenvolve inicialmente uma problematização do conceito de "indivíduo humano", mostrando as dificuldades de se ter sobre ele uma compreensão unívoca. O autor, no entanto seguindo a tradição marxista, afirma que o "indivíduo é uma formação histórica ou, dito de outro modo, é um produto das relações sociais". Tentando responder à questão: o que acontecerá com o indivíduo, condicionado e vinculado socialmente e igualmente único em sua existência individual, em função das transformações provocadas pela atual revolução industrial?

Schaff faz um breve estudo sobre as relações entre indivíduo e sociedade a partir de observações sobre dois extremos: o individualismo e totalitarismo. O primeiro é considerado como sendo a existência individual sem restrições e orientada apenas pelo livre-arbítrio pessoal e para o próprio interesse. No outro extremo, encontra-se o totalitarismo, isto é, a subordinação total do indivíduo à sociedade. A inquietação que orienta Schaff é a seguinte: a segunda revolução industrial favorecerá a tendência a um individualismo moderado ou a alguma forma de totalitarismo?

Para ele, as transformações que ocorrem favorecerão a emergência de comportamentos típicos do individualismo moderado.*** Vivemos em uma sociedade mais rica que, no entanto, deverá enfrentar o problema do desaparecimento do trabalho no sentido tradicional, mas que, graças à sua riqueza poderá resolvê-lo mais facilmente. Os membros desta sociedade futura gozarão de uma alto padrão de vida e de uma independência material sem precedentes.

Isto, para o autor, levará a um tipo de individualismo. Graças à independência material, as pessoas serão mais livres do que hoje — estarão em melhores condições de defender a sua liberdade, inclusive a liberdade política. Na sociedade informática haverá abundância de informações e os homens terão maior facilidade de acesso a elas. Serão mais esclarecidos, universalmente mais instruídos, o que estimulará o desenvolvimento de atitudes típicas do individualismo moderado.

Em seguida, o autor discute a situação futura do indivíduo diante da ameaça das possíveis tendências totalitárias da sociedade informática Esta, diz ele, traz consigo o perigo de que o indivíduo seja manipulado pelas autoridades, que poderão ter a seu dispor muito mais informações do que é possível hoje. O desenvolvimento da Informática permitirá inevitavelmente a coleta de todos os dados relativos a características e atitudes dos indivíduos, bem como sua disponibilização para as mais diferentes instituições. Entre estas, acham-se administrações governamentais —ministérios da Educação, da Saúde, do Trabalho etc. -, mas também organizações chamadas "privadas", que poderiam exercer, sem a devida legitimidade, um determinado controle sobre os indivíduos.

Schaff refere-se, também, a outro aspecto do problema profundamente ligado ao destino do indivíduo: a perda daquilo que, na linguagem da filosofia, chama-se "sentido da vida". O autor analisa o próprio conceito de "sentido da vida", tal como é apresentado por diversos quadros filosóficos, criticando uma postura excessivamente "filosófica" de alguns — um conjunto de reflexões abstratas, distante da vida real e também um possível ceticismo em relação ao mesmo conceito. Para definir o conceito de "sentido da vida", Schaff se baseia na obra de Victor Frankl e emprega o termo referindo-se "àqueles conteúdos que motivam o agir do homem, dando-lhe um sentido de satisfação de tarefa cumprida se o resultado de sua atividade for positivo". Um sentido de vida interiorizado pelo homem é um valor positivo, o que pode ser até decisivo para o seu bem-estar psíquico. No entanto, segundo o autor, a atual revolução industrial contém elementos que ameaçam este valor . Portanto, prossegue, o problema merece ser analisado mais detalhadamente.

A análise desenvolvida por Schaff tem como ponto de partida a questão do desemprego estrutural e a constatação de que o trabalho é a motivação fundamental do agir humano na sociedade atual. O autor conclui sugerindo modificações de atitudes em relação ao trabalho, na sua valorização e do seu lugar no sistema de valores interiorizado pelo indivíduo - um novo ethos do trabalho É bastante compreensível que elementos desta nova ética imprimirão a sua marca no estilo de vida dos indivíduos na sociedade informática. Maior tempo livre à disposição e meios materiais bem mais abundantes incrementarão sensivelmente a capacidade criadora do homem.

Schaff discute, ainda, a questão do sistema de valores interiorizado pelo indivíduo em uma sociedade em mudanças. Sem entrar em uma polêmica de cunho filosófico, ele admite que o sistema de valores aceito pelo indivíduo exerce uma influência dominante sobre suas relações sociais. Os valores se transformam no tempo e no espaço, de acordo com a totalidade das relações sociais em um dado período ou em uma determinada sociedade. O que, então, acontecerá? Qual será a influência da segunda revolução industrial neste sentido?O autor termina a sua obra com um breve epílogo —"Qual utopia se realizará?".

Sua conclusão é que, nos países industrializados, a segunda revolução levará a uma sociedade em que haverá um bem-estar e um nível de conhecimento sem precedentes para o conjunto da população (inclusive para aqueles afetados pelo desemprego). O mundo se converterá em um conjunto único e estreitamente interrelacionado, no qual todos os grandes problemas assumirão um caráter global.

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